segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sinta

"nos meus últimos 05 anos de (an)danças pela vida, tenho percebido que estamos vivendo uma espécie de anestesia do sentir. a lógica é: não sinto, logo não sofro.

o medo de ser você mesmo e de não corresponder aos padrões sociais de estética, comportamento e sucesso, têm transformado às pessoas em verdadeiros mutantes, programados para não sentir. montamos o nosso ideal de vida e beleza juntando partes – as pernas da cláudia raia, a boca da angelina jolie, o sucesso da ivete sangalo... – numa odisséia frenética que desagrega e fragmenta mais do que produz sentido.

em pedaços, ficamos impedidos de entrar em contato com o que é essencial. e é assim que o mundo de hoje vem se impondo: tudo em pedaços e separados!

no mundo de hoje, o que fica estabelecido é o não sentir, o não se sentir. no mundo de hoje, não quero estar, não consigo caminhar...

que faço eu, então?

contrário a tudo que vem sendo posto, crio mundo próprio. sentir, sentir e sentir, eis a rotação desse universo. aqui, o toque atravessa o corpo e o contato dá sentido ao sexo. aqui, é possível criar, descobrir, experimentar e reinventar. compartilhar, chorar, errar e amar. aqui, pessoas visitam-se, permitem-se, conectam-se, e saciam sua fome com conteúdo.

para muitos, tudo isso não passa da descrição de um universo paralelo. por mim, tudo bem. a loucura sempre me pareceu uma alternativa saudável de seguir na vida."

carina brandão

3 comentários:

  1. "Eu juro que é melhor não ser um normal!" Bjo bjo

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  2. eu não acho que as pessoas se privam de sentir. ao contrário, acho que carregam nas tintas e sentem em demasia. como nos romances, vivem em constante fantasia. alimentam-se de esperança, a têm como combustível. 'queria ser assim', 'ah, se eu tivesse isto', 'se fosse eu, faria assado'. só que a esperança é ausência e impotência: só se espera o que não se tem. esperar mina a vontade e anula a ação. não sentir é o primeiro passo para livrar-se da cilada de viver por expectativas não atendidas. não sentir é necessário para não esperar. abre espaço para a lucidez e prepara terreno para movimentos conscientes, não reativos ou 'de puro reflexo'. é trocar a susceptibilidade pela segurança, ter a certeza de que, na verdade, não há nada a perder.

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  3. sentir, hoje em dia, assusta as pessoas. que cada dia mais se acostumam com o que é descartável, seja no cinema, na música ou no amor. Nada que se apronfunde e crie raízes. ?E machuque quando removido.
    Mas eu acho que pular de cabeça é sempre mais legal. Pode ate ter pedras no fundo... mas, além da queda ser uma delícia... e se não houverem pedras então.... que mergulho gostoso!

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